Administrado pela Secretaria de Estado de Educação, o Cemeam comemora 19 anos de atuação ampliando e diversificando o atendimento aos alunos da rede pública

FOTOS: Tiago Correa/Secom
No Amazonas, onde rios substituem estradas e a distância é parte da rotina, o ensino básico encontrou na tecnologia um caminho para chegar mais longe. Nesta terça-feira (28/04), data em que é celebrado o Dia da Educação, o Governo do Amazonas reforça a importância do Centro de Mídias de Educação do Amazonas (Cemeam) como símbolo dessa conexão, levando ensino de qualidade a comunidades de difícil acesso e transformando realidades por meio do conhecimento e da tecnologia.
Administrado pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, o Cemeam comemora 19 anos de atuação em 2026, ampliando e diversificando o atendimento aos alunos da rede pública de ensino do Amazonas, oferecendo uma educação inovadora e de qualidade por intermédio das tecnologias da informação e comunicação – com ênfase na interatividade. Somente neste ano, o Centro atende cerca de 26 mil estudantes, entre os ensinos Fundamental, Médio e EJA.
“O Cemeam é exatamente o que eu chamo de educação sem fronteiras, porque ele chega em lugares que, para nós, era humanamente impossível chegar, com toda uma carga horária para ser montada e chegar a educação naquela comunidade. E o Centro de Mídias tem nos dado essa oportunidade, nesses 18 anos que tem levado educação às comunidades mais longínquas do nosso estado. Sabemos que a complexidade dessa logística é enorme, mas que isso não foi um impasse para a Secretaria de Educação”, destacou a secretaria de Estado de Educação, Arlete Mendonça.

FOTOS: Tiago Correa/Secom
O Centro alcança todos os 62 municípios do Amazonas, com aulas interativas transmitidas ao vivo para 1,9 mil comunidades. “Quando a gente assiste a aula já no canal do YouTube ou até mesmo na televisão, a gente não imagina o trabalho, quantas mãos que passam por esse processo. Ele começa, aqui, com um professor, que nós chamamos de professor-ministrante, produzindo a sua aula. Ele escreve um plano de aula há cerca de três, quatro meses antes dessa aula”, explicou o professor e assessor da direção do Cemeam, Marcos Kelvin.
“Ele vai escrever, ali, materiais que vão se transformar em conteúdos midiáticos, mas também vai conversar com o professor-presencial, que é o professor que está lá na ponta, lá na comunidade, junto dos alunos. Então, o professor escreve essa aula, depois ela passa para uma validação pedagógica e aí sim ela vai ser produzida midiaticamente. Então, nós temos uma equipe de arte que vai produzir todo o material, as cartelas, os vídeos, animações, tudo que o professor sonhar, que é possível ou impossível, ele coloca nesse plano de aula que nós conseguimos fazer acontecer”, acrescentou o assessor da direção.

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Equipe
Atualmente, o Cemeam dispõe de 62 professores-ministrantes, que atuam em Manaus, e 1,9 mil professores-presenciais, que trabalham nas comunidades. Dário Pinheiro Silva é um dos profissionais da capital – ele ministra aulas de Sociologia para o Ensino Médio, desde o início do Centro.
“Quando o Governo do Estado, por meio da nossa secretaria, lançou o projeto, eu fui um dos primeiros professores de Sociologia. Na época, eu fui convidado pelo então diretor que estava presente, porque eu já trabalhava com ensino à distância em uma universidade privada, e assim fiquei. Eu fui trabalhando, ficando. Na época, eu atuava em outro setor da secretaria e ficava lá e cá. Mas, nos últimos oito anos, eu decidi ficar somente no Centro de Mídias. Então, eu acompanhei desde a ‘infância’ até a fase ‘adulta’, e ele permanece o mesmo, sempre crescendo e sempre atendendo o nosso aluno distante”, revelou Dário.
De acordo com o professor, o impacto do Cemeam é palpável e ultrapassa as telas das comunidades. “Muitos alunos, hoje, são professores também do Ensino Mediado. Muitos estão atuando no mercado de trabalho, encontramos com eles, às vezes, na rua. Eu já encontrei com um no hospital, ele disse: – ‘O senhor foi meu professor, hoje eu sou enfermeiro, estou aqui no hospital trabalhando. Quero lhe agradecer’”, relatou Dário Pinheiro Silva, ao destacar que essa é a forma de mensurar o resultado do trabalho “enquanto Centro de Mídias e o quanto nós atingimos e atendemos às expectativas do nosso público”, frisou.


FOTOS: Tiago Correa/Secom e Jadson Armando/Divulgação
Para os próximos anos, Dário espera que o Centro siga transformando a vida de estudantes de todo o Amazonas. “Como eu disse, desde o começo, até hoje a proposta é a mesma, atender aquele aluno distante. O nosso Amazonas é muito particular, muito distante. Então, a minha perspectiva é que nós continuemos utilizando as tecnologias, os recursos midiáticos, para continuar atendendo. Minha expectativa é que o Centro de Mídias continue crescendo e utilizando mais e mais as tecnologias da informação, que todo dia surge uma nova”, concluiu o professor de Sociologia.
Rotina
Os professores Michelle Santos e Ananias Carvalho dividem a bancada dos estúdios nas aulas de História, utilizando-se do dinamismo e da criatividade para cativar seus alunos. “Antes de nós estarmos em tela, nós temos todo um processo de produção das aulas. Então, requer muito estudo, requer também que a gente tenha um pouco mais de criatividade, até porque, para a gente alcançar o público que nós temos, a gente precisa ser um pouco diferenciado. E a gente tenta buscar isso e melhorar cada vez mais a nossa qualidade”, pontuou a professora Michelle Santos.
O professor Ananias Carvalho explica que a aula é pensada conforme a peculiaridade do aluno, onde se leva em consideração que o aluno também tem um conhecimento prévio que, muitas vezes, ultrapassa o do professor.
“Quando a gente fala, por exemplo, de ambiente amazônico, de natureza, ele tem um conhecimento muito maior que o nosso, até porque eles vivenciam aquilo que a gente não vivencia. Então, a gente procura utilizar esses mecanismos, esses instrumentos, para fazer com que uma aula seja mais dinâmica e possa atingir o nosso propósito, que é de fato levar o conhecimento, no nosso caso, conhecimento histórico, até o nosso aluno. A gente planeja pensando no nosso aluno”, encerrou o professor Ananias.

FOTOS: Tiago Correa/Secom
Conclusão dos estudos
A facilitadora de projetos Odelnize Ramos foi uma das beneficiadas pelo Centro de Mídias. Natural de Iranduba, Região Metropolitana de Manaus, ela se formou em 2017, na Escola Estadual Thomas Eugene Lovejoy, localizada na Comunidade Tumbiras, zona rural.
“Acho que o Cemeam cumpre bem o papel de dar acesso à educação. E esse é um ponto que foi importante para ter acesso continuado. Porque as pessoas terminavam o Fundamental 1 e tinham que ir para Manaus se quisessem continuar. Eu tive a oportunidade de terminar o Ensino Médio”, declarou Odelnize Ramos.


FOTOS: Tiago Correa/Secom
Pandemia
O Centro de Mídias de Educação do Amazonas desempenhou um papel fundamental no estado durante a pandemia da Covid-19, funcionando como a principal ferramenta para a continuidade das atividades escolares durante o fechamento das escolas em 2020 e 2021. “O projeto Aula em Casa foi uma iniciativa de grande impacto, de grande escala. Porque, em tempo recorde, nós conseguimos disponibilizar as aulas de todo ano letivo para vários estados brasileiros. Nós fizemos convênios com alguns estados do nosso País, onde eles tiveram à disposição todas as aulas de um ano inteiro, de todas as séries. Isso fez com que os alunos pudessem ficar em casa, mas ter a continuidade do seu ensino”, disse Marcos Kelvin.