Professores reforçam o protagonismo da pesquisa amazônica e colocam a região como referência em estudos que unem ciência, cultura e educação

Com mais de 380 mil alunos em todo estado do Amazonas, as escolas da rede pública estadual vêm se destacando na pesquisa nacional e internacional. Neste ano, as Escolas Estaduais (EE) Deputado José Cláudio de Souza e Sólon de Lucena, por meio dos professores Adneryson Souza e Sarah Pinheiro, conquistaram condecorações com projetos desenvolvidos a partir de suas vivências na região amazônica e trajetórias como profissionais da educação.
Com o tema “Financiamento em Políticas Públicas”, a professora Sarah Pinheiro, da EE José Cláudio, desenvolveu uma investigação voltada ao financiamento da educação básica, com ênfase no Custo Aluno-Qualidade (CAQ) e nas desigualdades regionais na Amazônia.

FOTO: Divulgação / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar
A partir desse trabalho, a docente se consagrou como a vencedora do “Impacto Social Programa Pesquisadoras 2026”, realizado pela “Brazil Conference”, e foi convidada para expôr na programação da conferência, na universidade de Harvard e MIT, em Boston, nos Estados Unidos, entre os dias 27 e 29 de março.
E o professor Adneryson Souza, da EE Sólon de Lucena, conquistou recentemente o título de PhD em Ciências da Educação, na Universidade Internacional Tres Fronteras (UnInter). A partir da tese “A Mitologia Indígena Amazônica na Prática Docente: Caminhos para a Prática da Interculturalidade na Escola”, o trabalho recebeu nota máxima.
Anteriormente, o educador foi premiado como “Destaque Profissional” no “Prêmio Qualidade Brasil 2025” e nomeado como “Embaixador da Paz” pela “World Citizen Peace”, dos Estados Unidos.
O Amazonas em destaque
Doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e profissional da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar há 22 anos, a professora Sarah Pinheiro desenvolveu seu trabalho a partir dos desafios e das potencialidades de implementação do CAQ no Amazonas, analisando o contexto do Fundeb permanente.
O principal objetivo era verificar se o modelo vigente de financiamento garante condições reais de oferta educacional de qualidade, além de defender o reconhecimento de um “fator amazônico” no cálculo do financiamento público, como mecanismo de equidade territorial.
“Dialogar sobre custo aluno-qualidade na Amazônia em uma conferência internacional significa reconhecer que a efetivação do direito à educação depende de financiamento compatível com as especificidades territoriais, logísticas e sócio-culturais da nossa região”, defendeu a professora.
Segundo ela, essa é a oportunidade de levar, para pesquisadores e lideranças públicas nacionais e internacionais, a educação do Amazonas, assim como o trabalho desenvolvido nas unidades de ensino.
O ensino como base


Para o professor Adneryson Souza, a educação pública, para além do ensino em sala de aula, carrega um papel transformador na construção de uma sociedade mais consciente e plural. Nesse sentido, o docente coordena e implementa práticas exitosas com seus alunos, por meio de projetos educacionais, literários e culturais.
A partir desse trabalho contínuo, o educador conquistou seu título de Phd pela Universidade Internacional Tres Fronteras (UnInter), investindo em uma pesquisa que envolve interculturalidade, saberes ancestrais e práticas pedagógicas contextualizadas à realidade amazônica.
“A busca está justamente na possibilidade de promover uma educação mais inclusiva, plural e contextualizada, trabalhando a mitologia indígena amazônica como recurso pedagógico e fortalecendo a construção de uma educação intercultural crítica”, afirmou o professor.
De acordo com o docente, as conquistas são fruto do trabalho educacional desenvolvido em sala, com apoio dos alunos e da gestão escolar. Para ele, os prêmios reforçam o protagonismo da pesquisa amazônica no cenário internacional e colocam o Amazonas como referência em estudos que unem ciência, cultura e educação.
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