Dados identificados pela Sema orientam estratégias de adaptação climática e produção rural de baixa emissão de carbono

Foto: Divulgação/Sema
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema/AM) apresentou, nesta terça-feira (12/05), um recorte do Inventário Preliminar das Emissões Atmosféricas do Amazonas voltado ao setor agropecuário, durante a 7ª Reunião Ordinária do Grupo Gestor Estadual do Amazonas (GGE/AM) do Plano ABC+.
O encontro ocorreu na Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (SFA/MAPA), zona centro-sul de Manaus, dentro da programação do Seminário de Apresentação e Difusão do Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária com Vistas ao Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Plano ABC+/AM).
“Esses dados foram adquiridos na base de 2018 a 2023. Já temos os dados para 2024, e iremos atualizar em breve no inventário preliminar. Aqui, basicamente, apresentamos a linha do tempo dos mapas, de 2018 a 2023, dos municípios que mais emitiram dióxido de carbono equivalente”, explicou o assessor técnico e coordenador da Sala de Situação da Sema, Renato Trevisan.

Foto: Divulgação/Sema
Dados
Os dados apresentados mostram que as emissões associadas ao uso da terra, mudança do uso da terra e florestas (LULUCF) são responsáveis por 89% das emissões líquidas do Amazonas. O destaque de emissões está nos municípios de Lábrea, Apuí, Humaitá e Boca do Acre.
A agropecuária responde por 2,8% das emissões estaduais de gases de efeito estufa, com maior concentração nas regiões do Sul do Amazonas, onde também se intensificam processos de mudança do uso da terra. Entre as principais fontes identificadas estão a fermentação entérica de bovinos, o manejo de dejetos animais e o uso de solos agrícolas.
A expansão do rebanho bovino ocorre em paralelo às áreas de maior pressão sobre a cobertura florestal. O levantamento aponta predominância da pecuária de corte, responsável por cerca de 80% das emissões da atividade pecuária no estado, seguida pela produção leiteira e pela bubalinocultura.
“Construir políticas públicas eficientes exige compreender a realidade do território com base em dados técnicos e evidências. Esse trabalho de integração de dados é o que permite o planejamento, qualifica a tomada de decisão e permite que o Amazonas avance em estratégias alinhadas à produção sustentável e à conservação ambiental”, completou o coordenador.
Além da agropecuária, foram apresentados dados sobre os setores de energia e resíduos. O setor energético representa 6,5% das emissões estaduais, impulsionado pela geração termelétrica a diesel e pelo transporte rodoviário concentrado na Região Metropolitana de Manaus.
O setor de resíduos responde por 1,5% das emissões, ligado à decomposição de resíduos sólidos urbanos e ao tratamento de efluentes domésticos.

Foto: Divulgação/Sema
Sobre o Plano ABC+/AM
O Plano prevê ações voltadas à recuperação de áreas degradadas, ampliação da assistência técnica, incentivo a tecnologias de baixa emissão de carbono e fortalecimento de práticas produtivas adaptadas às condições climáticas da Amazônia.
“O Plano ABC+ cria o caminho para o Amazonas avançar em estratégias que conciliem produção rural, conservação da floresta e adaptação climática ao incentivar práticas produtivas mais sustentáveis e alinhadas à realidade ambiental do estado”, afirmou o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.
O seminário reuniu gestores públicos, técnicos de assistência técnica e extensão rural, produtores rurais e agricultores familiares para discutir estratégias e metas do Plano ABC+/AM. A proposta é consolidar uma rede de informações que subsidie o Sistema de Informação do Plano ABC+ (SIGABC+) e fortaleça políticas públicas voltadas à adaptação climática e à redução das emissões no setor produtivo.
Inventário de emissões
O Inventário Preliminar de Emissões Atmosféricas é um diagnóstico inédito das emissões de gases de efeito estufa no Amazonas, lançado durante a COP30, que integra e fortalece a Política Estadual de Emissões e Mudanças Climáticas (PEMC). O estudo mede as emissões de CO₂, CH₄ e N₂O no estado, permitindo avaliar sua distribuição espacial e temporal em todo o território amazonense para, assim, ser possível planejar ações de controle, prevenção e mitigação mais eficazes e alinhadas às metas climáticas.